sábado, novembro 04, 2006

Cultura em portugal

Ontem a noite fui aqui ao lado, ao teatro Camões ver Ballet, mais precisamente “O pássaro de Fogo” e “A sagração da primavera”.
Pois admirem-se lá que o teatro estava cheio, todas as cadeiras ocupadas, a começar pelas de 5€ e a acabar nas de 35€. Embora a maioria fosse adultos, vi alem dos ocasionais jovens (melhor dizendo das jovens pois eram quase todas raparigas, rapazes eram quase zero) um grupo que devia pertencer a uma escola de dança que encheu ainda umas seis filas de 9 cadeiras.
Se estão a pensar que o teatro está cheio devido a ser um dos primeiros espectáculos estão muito enganados, se não me engano hoje era o último!

Ate aqui tudo bem. Agora lembrem-se que somos aquele país que encerrou a companhia de dança da Gulbenkian por falta de lucro.
Agora digo eu, como não podia deixar de ser? Os artistas passam meses a se prepararem para um espectáculo, chega a altura e actuam conforme estava planeado, mas quantas vezes é que eles actuam? Talvez uma 10 com boa vontade minha. Será que 10 actuações cobrem os gastos de viagem, aluguer do espaço, ensaio, ordenados, … , e ainda gerar lucro suficiente para se prepararem para outro espectáculo?
Bom! Esta provado que não, pois se desse não tínhamos companhias a fecharem por falta de lucro. E não digam que a partir do 10 espectáculo já não valia a pena pois não vinham mais pessoas, talvez em alguns casos isso seja verdade, mas não em todos, não em peças “famosas” e conhecidas.

Estou a referir a dança mas é claro que é extensível as outras formas de cultura para as massas, tal como concertos e representações.

É verdade que não apostamos na cultura tanto quanto devíamos, andamos por aqui a tratar do choque tecnológico e coisas assim e de cultura nada ou muito pouco se faz. Isto faz pensar num futuro onde todos sabem mexer num computador, mas não fazem ideia de quem foi Shakespeare, Beethoven, Mozart, Picasso, Leonardo da Vinci. Mas sabem perfeitamente quem é o Bill Gates.