Deixo-vos o segundo excerto deste livro, concluindo assim os dois pontos do livro que me prenderam. Hoje passados 2 anos que o li continuo a saber perfeitamente onde se encontram, não demorando mais que 2 min a procura. Sem mais demora segue-se o tão esperado excerto:
“ Já não me lembro quando foi, mas, num domingo qualquer, resolvi entrar numa igreja para assistir à missa. Depois de estar muito tempo à espera, dei-me conta de que estava no lugar errado – era um templo protestante.
Ia sair, mas o pastor começou o sermão, achei que seria indelicado levantar-me - e isso foi uma bênção, porque naquele dia ouvi coisas que precisava muito de ouvir.
O pastor disse algo como:
“Em todas as línguas do mundo existe um mesmo ditado: o que os olhos não vêem, o coração não sente.
Pois eu afirmo que não há nada mais falso do que isso; quanto mais longe, mais perto do coração estão os sentimentos que procuramos sufocar e esquecer. Se estamos no exílio, queremos guardar cada pequena lembrança das nossas raízes, se estamos distantes da pessoa amada, cada pessoa que passa pela rua nos faz lembrar dela.
Os Evangelhos e todos os textos sagrados de todas as religiões foram escritos no exílio, em busca da compreensão de Deus, da fé que movia os povos para a frente, da peregrinação das almas errantes pela face da Terra. Os nossos antepassados não sabiam, e tão-pouco nós sabemos, o que a Divindade espera das nossas vidas – e é nesse momento que os livros são escritos, os quadros pintados, porque não queremos e não podemos esquecer quem somos”
Onze minutos, Paulo Coelho (pag. 240)
Um pequeno comentário, já todos ouvimos este ditado, provavelmente todos o dissemos uma vez, mas quando li este texto deixei de o dizer, deixou de significar o que sempre significou, posso ate dizer que o sentido foi totalmente trocado. Talvez agora mude de sentido para vocês também.
O excerto acaba com “Os nossos antepassados não sabiam, e tão-pouco nós sabemos, o que a Divindade espera das nossas vidas – e é nesse momento que os livros são escritos, os quadros pintados, porque não queremos e não podemos esquecer quem somos”. É exactamente nesse momento em que os olhos não vêem que paramos para escrever, para pintar, para cantar, praticamente o que quiseres no ramo artístico, coisa que depende de inspiração, de sentimentos, emoções. Onde menos esperamos estão as maiores contradições!
domingo, junho 10, 2007
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